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Financiamento imobiliário: como funciona SAC e Price?

Por Al de Palma ·

Financiamento imobiliário: como funciona SAC e Price?

Um financiamento de R$ 300 mil pode custar R$ 751 mil ou R$ 948 mil no fim do contrato. A diferença de quase R$ 200 mil depende de uma única escolha: SAC ou Price. Se você está pesquisando financiamento imobiliário como funciona antes de assinar qualquer contrato, essa é a decisão mais cara que vai tomar. O problema é que a maioria dos bancos não explica a diferença com números na mão. Neste guia, nós comparamos os dois sistemas em uma simulação real de 30 anos. Você verá o custo total de cada um e quando a amortização antecipada realmente vale a pena.

Principais pontos

  • Em um contrato de R$ 300 mil por 30 anos a 10% ao ano, o SAC custa cerca de R$ 751 mil no total e a Price cerca de R$ 948 mil — diferença de R$ 196 mil em juros.
  • No SAC, a parcela começa em R$ 3.333 e termina em R$ 840; na Price, fica travada em R$ 2.633 do início ao fim.
  • O SAC é sempre mais barato em juros totais, porque o saldo devedor cai mais rápido desde o primeiro mês.
  • A Price aprova mais fácil: a parcela inicial menor exige menos renda comprovada, já que os bancos limitam o comprometimento a cerca de 30% da renda.
  • Amortizar pelo prazo economiza mais juros do que amortizar pela parcela; o FGTS pode ser usado para isso, em geral, a cada 12 meses.
  • Se você não tem pressa para se mudar, o consórcio pode custar menos que os dois sistemas — o quiz no fim do artigo ajuda a decidir.

Neste artigo você vai ver:

Financiamento imobiliário: como funciona na prática

O financiamento imobiliário é um empréstimo de longo prazo em que o próprio imóvel fica como garantia até a quitação. Você paga uma entrada, em geral entre 10% e 30% do valor do imóvel, e o banco quita o restante direto com o vendedor ou a construtora. A partir daí, você deve ao banco — e o imóvel responde pela dívida.

O contrato fica registrado em alienação fiduciária. Na prática, isso significa que o imóvel é seu para morar, mas a propriedade só fica 100% limpa depois da última parcela. Se você deixar de pagar, o banco pode retomar o bem e levá-lo a leilão extrajudicial, sem precisar de um processo longo na Justiça.

Cada parcela tem quatro componentes: amortização, juros, seguros e taxa de administração. A amortização é a parte que efetivamente reduz sua dívida. Os juros são a remuneração do banco sobre o saldo devedor. Os seguros — MIP, que cobre morte e invalidez, e DFI, que cobre danos ao imóvel — protegem você e o credor. A taxa de administração é uma mensalidade fixa do contrato, normalmente em torno de R$ 25.

Segundo o Banco Central do Brasil, a taxa média do crédito imobiliário para pessoas físicas ficou na faixa de 10% a 12% ao ano nos últimos anos. Parece pouco, mas em 30 anos esse custo duplica o valor do imóvel. Por isso, pequenos pontos percentuais na taxa mudam dezenas de milhares de reais no total pago.

A taxa que o banco oferece a você depende do seu perfil de crédito. Quem tem score alto, renda estável e relacionamento com o banco paga menos. Se o seu score está baixo, vale melhorar o perfil antes de pedir o crédito — nosso guia de como aumentar o score de crédito mostra o passo a passo. Uma taxa 1 ponto menor em R$ 300 mil por 30 anos economiza mais de R$ 60 mil.

Por fim, atenção ao indexador do contrato. A maioria dos financiamentos SBPE corrige o saldo pela Taxa Referencial (TR), que está baixa há anos. Alguns contratos usam o IPCA, medido pelo IBGE, que pode encarecer as parcelas em ciclos de inflação alta. Verifique qual índice rege o seu contrato antes de assinar.

Sistema SAC: parcelas que caem com o tempo

No Sistema de Amortização Constante, você paga parcelas decrescentes: a amortização é fixa e os juros caem mês a mês. Como os juros incidem sobre o saldo devedor, e o saldo cai sempre no mesmo ritmo, a parcela diminui de forma previsível até o fim do contrato.

A mecânica é simples. Divide-se o valor financiado pelo número de meses: esse é o pedaço fixo de amortização em cada parcela. Soma-se a ele os juros do mês sobre o saldo restante. No começo, o saldo é alto e a parcela também. No fim, o saldo é pequeno e a parcela encolhe.

A grande vantagem do SAC é o custo total. Por amortizar mais rápido, você paga menos juros acumulados do que em qualquer outro sistema. A desvantagem é a porta de entrada: a primeira parcela é a maior de todas, e os bancos exigem que ela comprometa no máximo cerca de 30% da sua renda. Isso barra famílias com orçamento apertado logo na aprovação.

SAC: para quem é

O SAC combina com quem tem renda folgada hoje e quer pagar menos no total. Também é o sistema preferido de quem planeja amortizar com frequência, porque cada pagamento extra derruba o saldo já reduzido. Se você recebe bônus, comissões ou décimo terceiro e pretende jogar esse dinheiro no contrato, o SAC amplifica o efeito.

Por outro lado, se sua renda está no limite da aprovação, a primeira parcela do SAC pode simplesmente inviabilizar o crédito. Nesse caso, a Price entra como alternativa de acesso.

Tabela Price: parcela fixa, juros maiores

Na Tabela Price, a parcela é idêntica do primeiro ao último mês do contrato. Para manter o valor constante, o sistema amortiza pouco no início e muito no fim — nos primeiros anos, a maior parte da parcela é juros. Você paga pontualmente todo mês e mal vê o saldo devedor cair.

É esse o motivo do susto de tanta gente: após cinco anos de Price, o saldo devedor pode ter caído menos de 15%. A sensação é de pagar, pagar e não sair do lugar. Matemática pura: como a amortização cresce devagar, os juros acumulados ao longo do contrato são bem maiores que no SAC.

A vantagem real da Price é a parcela inicial menor. Como o comprometimento de renda é calculado sobre a primeira parcela, a Price aprova créditos maiores para a mesma renda. Para quem não conseguiria aprovação no SAC, ela pode ser a única porta de entrada para o imóvel próprio.

Price: para quem é

A Price atende quem precisa da menor parcela possível hoje. Também serve a quem espera crescimento de renda e pretende amortizar depois, convertendo o contrato caro em barato na prática. O que não funciona é escolher a Price pela preguiça de comparar: sem amortizações ao longo do caminho, ela é o sistema mais caro que existe.

Simulação real: R$ 300 mil em 30 anos

Na simulação abaixo, o SAC economiza R$ 196 mil em relação à Price no mesmo contrato. Usamos R$ 300 mil financiados em 360 meses, com taxa de 10% ao ano (cerca de 0,83% ao mês), sem seguros nem correção. Os números reais do banco serão um pouco maiores, mas a comparação se mantém.

SACTabela Price
Primeira parcelaR$ 3.333R$ 2.633
Parcela no 10º anoR$ 2.506R$ 2.633
Última parcelaR$ 840R$ 2.633
Total de jurosR$ 451 milR$ 648 mil
Total pagoR$ 751 milR$ 948 mil

Os números contam duas histórias ao mesmo tempo. No SAC, você desembolsa R$ 3.333 no primeiro mês — R$ 700 a mais que na Price — mas a parcela cai todos os meses e termina em R$ 840. Na Price, os R$ 2.633 nunca mudam, e ao fim de 30 anos você pagou mais que o triplo do valor financiado.

A conta da aprovação também muda. Com regra de 30% de comprometimento, o SAC exige renda comprovada de cerca de R$ 11.100. A Price pede aproximadamente R$ 8.800. Para muitas famílias, essa diferença decide a compra — e não há nada de errado em começar na Price e amortizar depois.

O que muda na vida real é a correção. Com TR próxima de zero, a simulação se aproxima bastante do contrato real. Com indexação pelo IPCA, as parcelas dos dois sistemas sobem em períodos de inflação, e a vantagem inicial da Price encolhe. Peça ao banco a tabela completa do CET — Custo Efetivo Total — nos dois sistemas antes de decidir.

Quando amortizar vale a pena

Amortizar vale a pena sempre que você tem dinheiro parado rendendo menos do que a taxa do seu contrato. Cada real pago antecipadamente deixa de render juros por todos os meses que faltam. Em um financiamento longo, R$ 10 mil amortizados hoje podem eliminar R$ 30 mil ou mais de custo futuro.

Todo contrato oferece duas opções de amortização. Reduzir o prazo mantém a parcela e corta meses do fim do contrato — é a opção que mais economiza juros. Reduzir a parcela alivia o orçamento mensal, mas mantém o prazo e economiza menos. Regra prática: se a parcela atual cabe no bolso, amortize pelo prazo; se ela aperta, amortize pela parcela.

Quem tem carteira assinada conta com um aliado: o FGTS. Pela regra da Caixa Econômica Federal, o saldo do fundo pode amortizar ou quitar parte da dívida, em geral a cada 12 meses. A regra vale para contratos do Sistema Financeiro de Habitação. Também é possível usar o FGTS para abater até 80% das prestações por até 12 meses consecutivos. É dinheiro que renderia pouco parado e pode virar desconto real de juros.

Há, porém, dois casos em que amortizar não é a melhor jogada. O primeiro é quando você não tem reserva de emergência: quitar dívida ficando sem caixa troca um problema por outro. O segundo é quando a taxa do contrato é muito baixa e seu dinheiro rende mais em aplicações conservadoras. Nesse caso, compare com cuidado, lembrando que rendimentos passados não garantem resultados futuros.

E se o seu plano é comprar sem pressa, vale conhecer a alternativa que foge dos juros. Entenda como funciona o consórcio imobiliário e compare o custo total dos dois caminhos antes de fechar com o banco.

Conclusão: qual sistema escolher

O SAC é mais barato no total; a Price é mais fácil de aprovar. Na simulação de R$ 300 mil por 30 anos, a diferença chega a R$ 196 mil — dinheiro suficiente para comprar um carro à vista. Se sua renda comporta a parcela inicial do SAC, ele é a escolha racional. Se não comporta, a Price com amortizações regulares chega perto do mesmo resultado.

Seu próximo passo é pedir ao banco a simulação do CET nos dois sistemas, com o seu valor real de entrada e prazo. Compare a primeira parcela, o total pago e o indexador de cada proposta. Dez minutos de comparação podem valer seis dígitos.

E antes de assinar qualquer contrato, responda uma pergunta maior: financiamento é mesmo o melhor caminho para o seu momento? Faça o quiz Consórcio ou Financiamento aqui no UniversoFinanceiro e descubra, em dois minutos, qual modalidade combina com a sua renda, sua urgência e seus planos.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre SAC e Price?

No SAC, a amortização do saldo devedor é fixa, então a parcela começa alta e cai ao longo do contrato. Na Tabela Price, a parcela é igual do início ao fim, mas você amortiza menos no começo e paga mais juros no total. Em um contrato de R$ 300 mil por 30 anos a 10% ao ano, o SAC custa cerca de R$ 196 mil a menos que a Price, embora exija parcelas iniciais maiores.

Qual sistema de amortização é mais barato, SAC ou Price?

O SAC é sempre mais barato em juros totais, porque o saldo devedor cai mais rápido desde a primeira parcela. Na mesma simulação de R$ 300 mil em 30 anos a 10% ao ano, o SAC soma cerca de R$ 451 mil de juros, contra aproximadamente R$ 648 mil na Price. A vantagem da Price é a parcela inicial menor, que cabe em rendas mais apertadas e facilita a aprovação do crédito.

Posso usar o FGTS para amortizar o financiamento imobiliário?

Sim. Quem tem contrato no Sistema Financeiro de Habitação pode usar o saldo do FGTS para amortizar ou liquidar parte do saldo devedor, em geral a cada 12 meses, respeitadas as regras da Caixa Econômica Federal. O valor reduz o prazo ou a parcela, conforme sua escolha. O FGTS também pode abater até 80% do valor das prestações por até 12 meses consecutivos.

Vale mais a pena amortizar o prazo ou o valor da parcela?

Para economia de juros, reduzir o prazo quase sempre vence, porque o saldo devedor deixa de render juros por mais meses. Reduzir a parcela alivia o orçamento mensal, mas alonga o contrato e custa mais no total. Se a parcela atual cabe no seu bolso sem aperto, amortize pelo prazo. Se o orçamento está no limite, reduzir a parcela devolve fôlego e evita atrasos.

O que acontece se eu atrasar as parcelas do financiamento?

O atraso gera multa, juros de mora e correção sobre a parcela vencida. Persistindo a inadimplência, o banco pode negativar seu nome e executar a garantia: como o imóvel fica em alienação fiduciária, ele pode ir a leilão extrajudicial para quitar a dívida. Antes de chegar a isso, procure o banco para renegociar, pois a portabilidade e a reestruturação do contrato costumam sair mais baratas para os dois lados.

Consórcio ou financiamento: qual escolher para comprar um imóvel?

O financiamento entrega o imóvel imediatamente, mas cobra juros que podem dobrar o valor pago em 30 anos. O consórcio não tem juros, só taxa de administração, porém você depende de sorteio ou lance para ser contemplado e usar a carta de crédito. Quem tem pressa para se mudar tende ao financiamento; quem pode esperar e quer pagar menos no total tende ao consórcio.

Al de Palma

Al de Palma

Fundador do UniversoFinanceiro e gestor de fundos com mais de uma década de experiência em investimentos no Brasil e nos EUA. Escreve para traduzir finanças em decisões práticas para o dia a dia do brasileiro.

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